Neste mês, gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre três temas extraordinários na história recente da humanidade: medicina, tecnologia e longevidade.
Já há um bom tempo, as chamadas Zonas Azuis (Blue Zones) são reconhecidas como importantes referências quando falamos em longevidade. Trata-se de cinco regiões específicas do mundo identificadas por cientistas e pelo jornalista Dan Buettner, da National Geographic, onde a população vive consideravelmente mais e com uma excepcional taxa de centenários ativos.
Nesses locais, o envelhecimento saudável não depende de tratamentos caros, mas sim de uma combinação de hábitos diários simples compartilhados pela comunidade. Okinawa (Japão) é conhecida por idosos com forte senso de comunidade e baixas taxas de doenças crônicas; a Sardenha (Itália), especialmente a região montanhosa de Ogliastra, possui uma densidade altíssima de homens centenários; Nicoya (Costa Rica) é uma península onde os idosos têm a menor taxa de mortalidade na meia-idade do mundo; Icária (Grécia) é uma ilha isolada no Mar Egeu com registros mínimos de demência e problemas cardiovasculares; e Loma Linda (Califórnia, EUA), uma comunidade de Adventistas do Sétimo Dia que vive cerca de 10 anos a mais que a média americana.
Além da adoção de bons hábitos, a exemplo das populações das Zonas Azuis, as pessoas também têm vivido mais graças aos aprimoramentos da medicina potencializados pelo notável avanço da tecnologia nos últimos cinquenta anos. Há quem diga que as pessoas que viverão cento e cinquenta anos já estão entre nós. Tudo isso sem falar no que vem por aí diante da transformação que está sendo promovida pela inteligência artificial.
O envelhecimento acelerado da população global impõe uma pressão sem precedentes sobre a sustentabilidade financeira dos regimes de aposentadoria.
A queda na taxa de natalidade em escala global, à exceção talvez do ainda jovem continente africano, aponta para um impacto sem precedentes nos sistemas de previdência do mundo. Esse cenário decorre do descompasso financeiro gerado pelo tempo de recebimento do benefício, superior ao originalmente planejado, e da redução da base de contribuintes. Ou seja, menos trabalhadores ativos sustentam um número maior de aposentados.
A despeito do déficit atuarial nos sistemas públicos e das discussões em curso com o objetivo de buscar soluções estruturantes para as gerações atuais e futuras, certamente teremos um momento de disrupção do Regime Geral aqui no Brasil.
Começamos a envelhecer rapidamente sem termos enriquecido e estamos às portas de um colapso do sistema tradicional, que deverá ocorrer entre 15 e 20 anos, quando a população de idosos estará próxima de 70 milhões de brasileiros. Esse é um tema indigesto para políticos e governantes pelo mundo afora, entretanto, fundamental para a manutenção do equilíbrio social.
Diante desse cenário, torna-se ainda mais relevante o constante acompanhamento do seu plano de benefícios. As notícias recentes divulgadas pelas fundações dão conta do crescente número de participantes centenários nas três modalidades de planos de benefícios existentes e, vale destacar, majoritariamente de mulheres.
Ainda, vale lembrar que a Organização Internacional dos Supervisores de Previdência Privada (IOPS) revisou o Princípio 6 – Monitoramento e Adaptabilidade, que trata da necessidade de atuação proativa dos supervisores, em função dos vários eventos ligados ao envelhecimento e alterações dos planos de benefícios.
Viver mais e melhor também tem a ver com bons hábitos financeiros ao longo da vida. “Who Wants to Live Forever”, da famosa banda Queen, apesar do tom melancólico, nos ensina a refletir sobre a vida que vale a pena ser vivida. E essa decisão não pode ser terceirizada porque você é o senhor ou a senhora do seu destino e, como diz o Emicida, “você e único representante dos seus sonhos na face da Terra”.
Pense a respeito e até o próximo encontro!
